quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Resultado parcial das aulas de Didática (e do curso, em geral)

De certa forma, o curso tem aumentado a minha ansiedade em relação ao meu desempenho como professora, ensinante, mediadora. Se, por um lado, isso me deixa em maus lençóis, por outro, me provoca a necessidade de ser mais criativa na preparação das aulas. Sempre acreditei mais em aulas interativas, em que a participação dos estudantes fosse central para o meu bom desempenho, mesmo assim, entendo que não é fácil trabalhar desta forma o tempo todo.

Vou relatar uma experiência de ontem: cheguei ao final do conteúdo do primeiro bimestre da disciplina ESEPB. Disciplinha "chata", dura, preparada com  base em capítulos de livros, cujo conteúdo é mais "decoreba" do que reflexão, conforme o plano de ensino que já recebi pronto.

Desde o início do semestre, mudei a dinâmica das aulas. Além de uma exposição minha inicial, a cada semana um ou dois grupos apresentam seminários sobre os capítulos do livro auxiliar previsto no programa. Funcionou direitinho. Os grupos se organizaram e prepararam apresentações em power point, dando aos colegas um apanhado geral dos conteúdos.

Ao final de cada aula, exercitei com eles a capacidade de tirar conclusões, propondo que eles elaborassem em voz alta conclusões até o momento, enquanto eu as escrevia no quadro e pedia a confirmação dos outros colegas. Bem interessante, pois foi possível observar o espírito crítico deles em ação.

Mas ontem, especialmente, a dinâmica foi diferente. Tivemos dois encontros seguidos (graças à reposição de uma das aulas em que não estarei por conta dos congressos), o que facilitou a realização de um jogo, cujo intuito era fazer uma revisão do conteúdo. Assim, no encontro de 8h às 9h40min, a aula seguiu normalmente, com minha exposição e os seminários. No encontro seguinte, de 10h às 11h40m, propus que cada grupo preparasse uma ou mais questões a respeito do conteúdo de seus seminários. Posteriormente, propus que os grupos lessem suas perguntas e abrissem a possibilidade dos outros grupos responderem. O grupo que tivesse o maior número de respostas certas - avaliadas pelo grupo que perguntou - ganharia chocolates.

Funcionou muito bem. Não só eles mostraram interesse em participar, como também perceberam a importância de estudar o conteúdo apresentado pelos diferentes grupos. Entenderam a brincadeira como uma forma de se preparar para a prova que virá em nosso próximo encontro.

Além de tudo, foi divertido para mim e para eles.

O que mais provoca a ansiedade é a dificuldade de prever o resultado de uma aula proposta de maneira diferente, centrada nos alunos, pois a atenção para manter o foco no conteúdo ou conceito a ser trabalhado exige muito mais energia.

É o caso da disciplina de Mídias Regionais. A última aula estava planejada com base em perguntas a respeito do texto que as alunas deveriam ter lido. Acontece que nenhuma leu o texto. E aí? Como trabalhar? Mandei ler em sala e responder as perguntas, o que elas fizeram de forma "mecânica". Enquanto isso, uma das alunas começou a falar de seus questionamentos a respeito da carreira de jornalista, o quanto estava frustrada, etc. O assunto acabou seguindo esta linha, uma conversa sobre carreiras e possibilidades para jornalistas e profissionais da comunicação (eu sempre tentando incluir as questões de mídia regional e local na discussão). Quanto ao conteúdo previsto, ficou acertado que elas leriam o texto, responderiam as perguntas e trariam para o debate na próxima aula, com questões levantadas por elas também. Assim como ficou previsto um seminário a respeito de outros dois textos, a ser preparado por duas das alunas. O que me parece é que esta turminha precisa ser colocada, mesmo, no centro do debate, com o trabalho de preparação do conteúdo nas mãos delas. Já chegamos no meio do semestre e eu ainda estou tateando com elas. Em alguns encontros acerto, em outros saio frustrada.
 

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