Primeiro texto do processo de produção do portfólio: escrito no dia 08 de agosto de 2013:
Ser professora, facilitadora ou mediadora é estar sempre em
uma situação de confronto consigo mesma. Quando na posição de estudante de um
tema que diz respeito à própria prática profissional, o confronto pode ser
ainda maior. Como foi o caso da aula da pós de ontem.
O que aprendi sobre mim mesma na aula do dia 07 de agosto
não é necessariamente um aprendizado, afinal eu sei e convivo com isso há anos:
me exponho demais.
De qualquer maneira, a prática reflexiva faz parte do
processo de aprendizado. Sistematiza-la é fundamental. Então vamos ao
Portfólio.
Assim, pensando nas duas disciplinas que dou e nas condições
deste semestre (a cada semestre a realidade muda, pois as turmas mudam e eu
também mudo), tenho:
- uma disciplina que já montei, mas que não poderá ser dada
da mesma maneira (até pq não foi montada para ser absoluta e eterna, aconteceu
ao sabor dos acontecimentos e necessidades que, de antemão eu sabia, se
alterariam e o material teria que ser adaptado, complementado e melhorado para
o semestre seguinte). Para uma turma de 4 alunas que, quietas, dão trabalho
para serem colocadas em dinâmica, numa sala que oferece condições diferentes:
mesas para sentarmos ao redor e não posição de alunos de um lado e professor do
outro como é tradicional.
Esta sala me deu a ideia de transformar o encontro em um
lanche com conversa. O que tentarei na próxima aula, considerando, ainda, que a
disciplina ocupa o último período da manhã, horário em que todos já estão com
fome. Baseada, também, em minha experiência com pesquisas de mercado
qualitativas e com seminários na universidade, considero que, comendo, pensamos
melhor. Será?
- uma disciplina que nunca dei, que chegou a mim organizada,
e que não é minha área de domínio. Para duas turmas de segundo período. Tenho
que estudar muito e temo o confronto dos alunos, caso estes tenham mais
informação do que eu a respeito dos temas tratados, mesmo que fique me dizendo
o tempo todo e que tenha consciência absoluta disso: “o professor não é o dono
da verdade, nem o detentor do saber”. A questão não é exatamente esta. O que
vem é que uma possível falta de base dificulte a minha capacidade de elaboração
de dados novos e passe, para os alunos, uma percepção de insegurança da
mediadora. Considerando essas condições (organizada por outro professor e não
domínio do tema), decidi trabalhar com seminários: eu faço uma introdução e os
alunos apresentam os textos das aulas. Com um fechamento, obviamente. A
primeira experiência será na próxima semana. Tomara que seja bem sucedida.
Enquanto isso, busco suporte no livro O mestre ignorante, de
Jacques Rancière, de tal forma que me sinta a vontade para subverter a ordem da
autoridade dos que sabem sobre os que ignoram, fazendo com que os alunos
aprendam mesmo que eu ainda não tenha apreendido completamente o conteúdo.
Partindo da ideia de que, neste caso e na maior parte dos casos, somos, alunos
e professores, iguais, parto do pressuposto de que “não há ignorante que não
saiba uma infinidade de coisas, e é sobre este saber, sobre esta capacidade em
ato que todo ensino deve se fundar.” (Rancière, 2013: 11).
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